UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, as coisas vão ser bem diferentes. A garagem não ficará lotada de bicicletas, de trilhos de trenzinhos ou tábuas, pregos, martelo e serra, de “projetos experimentais” inacabados. Nunca mais tropeçaremos em skate, pilhas de papéis, ou tudo espalhado pelo chão.
UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, a cozinha ficará incrivelmente arrumada. A pia não ficará cheia de pratos sujos, e nunca mais perderemos as tampas dos vidros de geléia e de ketchup ou dos potes de manteiga de amendoim, de margarina e de mostarda. A jarra d’água não será recolocada vazia e as fôrmas de gelo não ficarão fora durante a noite..
UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, a esposa terá tempo de vestir-se vagarosamente. Terá tempo para um banho quente e demorado (sem receio de ser interrompida por gritos assustados), tempo para cuidar dos cabelos sem ter de marcar um horário espremido entre o trabalho ou uma ida ao médico para levar uma criança de mau humor por ter perdido seu boné.
UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, o telefone ficará desocupado, sem parecer ter nascido grudado ao ouvido de um adolescente. Ele simplesmente ficará lá... silencioso e, por incrível que pareça, pronto para ser usado! Não ficará melado de batom, saliva, migalhas de salgadinhos ou com palitos enfiados nos pequenos orifícios.
UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, seremos capazes de enxergar através dos vidros do carro. Impressões de mãos e pés e lambidas serão inexistentes. O banco traseiro não ficará em completa desordem, não nos sentaremos em cima de pedrinhas e lápis de cor e o tanque de combustível estará sempre cheio.
UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, poderemos voltar a conversar normalmente, isto é, conversar como qualquer pessoa normal. As frases não serão intercaladas de grosserias. “Legal!” será uma expressão em desuso. Não haverá batidas na porta do banheiro acompanhadas de “Ande logo, estou apertado!” e “É a minha vez” não necessitará da presença de um árbitro. E aquele artigo de revista será lido sem interrupções e, depois, discutido longamente, sem que o pai e a mãe tenham de esconder-se para terminar a conversa.
UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, não teremos de inventar novas maneiras de desviar a atenção das máquinas que vendem gomas de mascar... Nem teremos de ficar acordados até altas horas esperando a chegada deles...
Sim, um dia, quando elas crescerem, as coisas serão bem diferentes. Elas começarão a partir, uma após a outra, e a casa ficará em ordem e talvez até elegante. O telefone estará estranhamente mudo. A casa estará sossegada... Calma.. Sempre limpa... Passaremos o tempo aguardando a chegada de um deles em um novo dia mas, lembrando-nos do Ontem e pensando: “Talvez a gente possa cuidar dos netos e assim esta casa volte a ter vida!”
Afinal, o tempo não volta... Crianças viram adultos e vão embora. De vez em quando voltam e trazem os netos... Mas isso vai depender da acolhida que tiveram, [ dos esposos e esposas que escolheram - inserção minha - Eliel ] das horas que dedicamos e de tudo o mais que fomos capazes de abrir mão em nome do amor que temos por eles.
Extraído do livro “Histórias para o Coração” Editora United Press
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